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terça-feira, 11 de maio de 2010
fragmento
no momento exato, logo depois de retirar a faca lentamente do corpo imóvel e pesado do gordo (a sensação era de se escorregar a faca de pão esquentada através do meio da manteiga mole), o alívio tomou conta do corpo de Frederico e a pulsação do seu tórax e braços foi diminuind,o na mesma proporção que o corpo do recém-cadáver imenso que recém-jazia no espaço encurtado da rua sem saída. a morte veio para aplacar a calma na alma trêmula de Frederico, que insistia em impulsioná-lo a qualquer coisa louca, algo que o fizesse parar. o descanso. havia dias em que se sentia exausto. a pulsação da alma lhe exauria. mas o simples movimento, convocando seu corpo inteiro contra o do imenso pançudo, os braços e mão como que quilhas suportando todo o impacto e o dissipando pelo espaço em volta, o haviam libertado. a vida, antes, o peso da vida já tinha se esvaido pra outro lugar, como uma sombra fugidia se esgueirando pelas frestas e ranhuras do chão, e já não pesava sobre a cabeça do louco Frederico, guardando ele, para si, a momentânea leveza da morte.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Inventei de inventar um blog pra colocar trabalhos da Academia. A tentativa é de achar coisas novas de amigos e mostrar o que é feito por graduandos dentro da faculdade. Enfim, tentando ao máximo escapar do pedantismo e do diletantismo, quem puder e quiser contribuir pro surgimento de coisas novas e criativas, e tenha idéias de como fazer com que essas coisas sejam espalhadas por aí, gritem pra mim! Aí vai o endereço: www.batatasbaroas.blogspot.com
Gradicido!
Gradicido!
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Receita
-È, doutor...tá tudo muito ruim! Ruim mesmo! E doído, digo mais! Parece que tem uma coisa que não quer sair de mim, um incômodo aqui nas entranhas mesmo...E é desesperador porque eu não consigo ver motivo, causa nenhuma. Isso, que se esconde em mim, vem me acompanhando faz um tempo já, e já tentei de tudo desde então: fiz milhões de novas amizades; já tive outros milhões de maravilhosos amores; carnaval não faltou também, e na verdade parecia que sempre tudo ia acabar se eu metesse os pés pelas mãos, fizesse alguma coisa extraordinária, vivesse 5 anos em 5 meses. Mas tô desesperado de incômodo! Ele não me dá sossego, não houve solução até agora, e não tenho esperanças que as coisas melhorem. É isso o principal: tô sem esperanças que tudo melhore...
-E sua família?
-Que que tem doutor?
-Fale um pouco dela...
-Ahm, tudo normal. E isso é desesperador também, sabe? Minha vida é normalíssima! Tudo dá certo. Tudo mesmo. Mas sempre tem esse diabinho nas minhas entranhas, esse rebuliço, ou melhor, essa coisa sólida e parada, e que me para, que não sai por nada, que eu não consigo me livrar... É, como tudo o que incomoda, inominável.
-Você tem alergia a alguma substância?
-Como assim?
-A algum remédio?
-Que eu saiba, não, Doutor!
-Então vou te receitar isso aqui, tá? (escreve num papel)
-Uhum, doutor...
-Tome duas vezes ao dia...(escreve), compre genérico mesmo...se não achar Luftal, tem também Dimeticona, é mais barato. Quinze gotas diluídas.
-Só quero que isso passe, Doutor, (passa a mão pela barriga, aflito)
-Em dois, três dias no máximo passa...te garanto. Deve ser má alimentação. Só pode ser, te garanto!
-E sua família?
-Que que tem doutor?
-Fale um pouco dela...
-Ahm, tudo normal. E isso é desesperador também, sabe? Minha vida é normalíssima! Tudo dá certo. Tudo mesmo. Mas sempre tem esse diabinho nas minhas entranhas, esse rebuliço, ou melhor, essa coisa sólida e parada, e que me para, que não sai por nada, que eu não consigo me livrar... É, como tudo o que incomoda, inominável.
-Você tem alergia a alguma substância?
-Como assim?
-A algum remédio?
-Que eu saiba, não, Doutor!
-Então vou te receitar isso aqui, tá? (escreve num papel)
-Uhum, doutor...
-Tome duas vezes ao dia...(escreve), compre genérico mesmo...se não achar Luftal, tem também Dimeticona, é mais barato. Quinze gotas diluídas.
-Só quero que isso passe, Doutor, (passa a mão pela barriga, aflito)
-Em dois, três dias no máximo passa...te garanto. Deve ser má alimentação. Só pode ser, te garanto!
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Minhas mãos coçaram para escrever aqui. Nem que fosse pra falar que minhas mãos coçavam. Mas até agora não consegui pensar no que. Bom, seria bom falar de como são lindas todas as pessoas que me acompanham agora. Como quero estar com todas elas, ao mesmo tempo que sei da impossibilidade da perfeição e da presença delas o tempo todo na minha vida. Talvez seja por isso tão bom escrever aqui. Sei que minhas mãos coçam porque tenho muito a compartilhar, muito a dar, embora queira sempre mais receber, ou ainda, dando com intenções de receber o dobro, ou o triplo. Não se assustem com qualquer vulgaridade, ou falta de meandros para falar. Às vezes gosto de abrir feridas, só para me mostrar que sou suscetível a qualquer coisa. Mas continuando...queria fazer aqui uma homenagem ou dizer um "eu te amo" a todas essas pessoas! Todas mesmo. Desde beberrões que sempre encontro nos bares da vida, ou àqueles que só encontro no MSN. Tem aqueles também que só aparecem no IFCS, e em outros lugares não existem. Tem aqueles que só aparecem pra dar esporro, ou falar besteira; mas valem a pena também. A todos: os amo muito!
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Sonhei contigo ontem. Sonhei que dormia e que acordava com seus carinhos e com seu olhar nos meus olhos se abrindo. Seu olhar...Vi todo um passado num só relance. Você me contava que tinha esperado eu acordar por muito tempo, mas que não houve sofrimento nenhum. Não precisou de paciência. Disse que sabia que quando eu acordasse valeria a pena da espera. Eu, a meia voz, contava que fora a melhor surpresa do mundo acordar assim. Contava para ti que muita coisa estava presa na minha garganta, e que fizera mal a tanta gente...Você sorriu, dizendo que isso não importava mais, que eu te contaria tudo ali, naquela hora, e tudo estaria bem depois. Tive vontade de dizer que te amava. Segurei-me. Agora me arrependo. Entendi então que o espaço compreendido entre meu rosto e o seu, delimitado pelos seus cabelos e pela luz alaranjada desperdiçada pelo sol se pondo era onde eu viveria mais intensamente, era onde eu deveria morrer. Escapou-me um sorriso, um bem aberto. Pisquei os olhos, talvez numa tentativa de testar a realidade, mas paguei a pena. Você sumiu então literalmente num piscar de olhos, e troquei meu espaço ideal por uma cama escura e solitário de um começo de noite. Acordei. Você nunca tinha existido.
Irmão
Quero te abraçar pra sempre
Sentir que tudo é certo nos seus braços
Tudo é errado em você
Não to afim do seu cheiro. O seu cheiro...
Mas quero sentir o que!
Te dizer que sou nada sem você, menos ainda contigo!
Calar a tua boca a toda besteira que consegue falar, e te falar que o silêncio é um bom companheiro!
Cala-te e faz do meu carinho o seu, esqueça tudo que você fez e conseguiu pra ti.
Sou teu companheiro, sou teu irmão, sou tua alma!
Sentir que tudo é certo nos seus braços
Tudo é errado em você
Não to afim do seu cheiro. O seu cheiro...
Mas quero sentir o que!
Te dizer que sou nada sem você, menos ainda contigo!
Calar a tua boca a toda besteira que consegue falar, e te falar que o silêncio é um bom companheiro!
Cala-te e faz do meu carinho o seu, esqueça tudo que você fez e conseguiu pra ti.
Sou teu companheiro, sou teu irmão, sou tua alma!
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
suspiro
O sussurro-gemido-grito-prazer sendo concebido no topo do peito, começando a deslizar suavemente pelo começo da garganta, fazendo cócegas antes de escapar em forma de ar, e passando a ser som quando entra em contato com a língua. Língua bailarina que sempre gostou dessas cócegas sorrateiras que chegam anunciando a satisfação, por isso sempre procura. Está sempre procurando. O pulmão, reprimido qual sempre foi, acha esse escape dos seus brônquios a coisa mais safada do mundo, e prepara o suspiro com um cuidado que ninguém consegue ter, talhando-o. A garganta adora passar a mão nele, e acarariciando-o conduz seu caminho até onde for possível. Ela quer é que ele voe. Não para. Não para alguém. O suspiro quer voar. A pele, de onde pode, arrepia-se, quer entrar na bagunça, ninguém quer perder. Fica espiando pra ver no que vai dar, pra ver onde vai entrar. O colapso vem com os nervos. Pobres fracos. Não suportam nada estanque, querem que tudo se esvaia. Querem fazer do prazer espírito. Se contorcem, se estapeiam, chegando até à descarga completa do amor. E o coração agora começa a sossegar, a querer que o mundo pare de rodar, que o nada seja trocado pelo alguma coisa, por uma bobeira que seja... Sossega suas pulsações. Chega!
Sangue, segure-se, Pele, desarrepie-se, Prazer, volte quando bem entender.
Sangue, segure-se, Pele, desarrepie-se, Prazer, volte quando bem entender.
Há um site bem interessante pra quem gosta do filósofo Gilles Deleuze e de economizar dinheiro através de pirataria. O nome é "Dossiê Gilles Deleuze", e há senão todos os textos, a maioria deles, inclusive resenhas de textos dele e depoimentos sobre o francês. Fikadica: http://www.dossie_deleuze.blogger.com.br/index.html
Engane-se
Diria que sim. A vontade é dizer sim! Pra tudo. Principalmente pra você. E gritar, gritar muito! E bradar o hino da loucura, do descontrole, ou inventar um!
Não dizer é um desperdício tão grande! Não gritar! Mas quem sou eu pra falar de desperdício, de perda...
Esqueça! Sou o que sou agora, o que fui já não é, e sou possuído a todo instante por quem não sou, e não sei mais se sou quem me possuo ou o possuído. Não vá querer me prever, me censurar me chamando de mentiroso! Um mentiroso não se diz mentiroso, mesmo quando quer dizer a verdade. Então só sinta o que vos falo, esqueça se minto, se quero te enganar. Afinal, sentir é enganar a si mesmo, é enganar teu corpo, de que o mal não existe, convencendo-o de que tudo é um só, de que não falta mais nada, de que aquele intervalo de um segundo basta toda sua existência. Acredite, ou se engane: quero gritar!
Não dizer é um desperdício tão grande! Não gritar! Mas quem sou eu pra falar de desperdício, de perda...
Esqueça! Sou o que sou agora, o que fui já não é, e sou possuído a todo instante por quem não sou, e não sei mais se sou quem me possuo ou o possuído. Não vá querer me prever, me censurar me chamando de mentiroso! Um mentiroso não se diz mentiroso, mesmo quando quer dizer a verdade. Então só sinta o que vos falo, esqueça se minto, se quero te enganar. Afinal, sentir é enganar a si mesmo, é enganar teu corpo, de que o mal não existe, convencendo-o de que tudo é um só, de que não falta mais nada, de que aquele intervalo de um segundo basta toda sua existência. Acredite, ou se engane: quero gritar!
terça-feira, 8 de setembro de 2009
entre dois lugares
-Desculpe, minha senhora, mas por acaso exalo algum cheiro que a desagrade?
-Pois não?
-Meu cheiro a incomoda?
-Perdão, meu senhor, mas que tipo de pergunta é essa?
-Uma que é como qualquer outra...
-Convenhamos que não é uma bem comum...
-Convenho sim, mas então não irá responder?
-Se minha resposta é tão importante para o senhor, digo que sim, seu odor não me agrada de forma alguma.
-Bom, essa resposta só veio a confirmar minha suposição. O incômodo também é capaz de se exalar pelas pessoas.
-...não foi minha intenção...
-Não se aflija, cara senhora. Incomodo-me também muitas vezes com muitas coisas. Mas descobri que minha vida é outra, e muito melhor, depois que aprendi a gostar do que me incomodava, de tentar cheirar as coisas de outra maneira.
-E isso é possível? Cheirar uma mesma coisa de duas formas?
-E o que não é? Talvez fosse possível para a senhora também gostar de algo que a incomode, como meu cheiro.
-E por que se importa se gosto ou não de seu cheiro?
-E a senhora não gosta de que gostem de você?
-Mas em que dimensão cheirar e gostar tem relação um com o outro?
-Em todas, minha senhora. Não vês? Só se gosta pelo cheiro! O cheirar é o próprio gostar!
-Pois não?
-Meu cheiro a incomoda?
-Perdão, meu senhor, mas que tipo de pergunta é essa?
-Uma que é como qualquer outra...
-Convenhamos que não é uma bem comum...
-Convenho sim, mas então não irá responder?
-Se minha resposta é tão importante para o senhor, digo que sim, seu odor não me agrada de forma alguma.
-Bom, essa resposta só veio a confirmar minha suposição. O incômodo também é capaz de se exalar pelas pessoas.
-...não foi minha intenção...
-Não se aflija, cara senhora. Incomodo-me também muitas vezes com muitas coisas. Mas descobri que minha vida é outra, e muito melhor, depois que aprendi a gostar do que me incomodava, de tentar cheirar as coisas de outra maneira.
-E isso é possível? Cheirar uma mesma coisa de duas formas?
-E o que não é? Talvez fosse possível para a senhora também gostar de algo que a incomode, como meu cheiro.
-E por que se importa se gosto ou não de seu cheiro?
-E a senhora não gosta de que gostem de você?
-Mas em que dimensão cheirar e gostar tem relação um com o outro?
-Em todas, minha senhora. Não vês? Só se gosta pelo cheiro! O cheirar é o próprio gostar!
sábado, 29 de agosto de 2009
A saga começa
Não tinha como carregar meu celular. Esse é o único motivo de não mandar notícias pelo Twitter.
A viagem foi muito maneira! Todos tentando resistir ao tédio e ao futum que imperava no onibus todo, como se espera de uma viagem de 45 pessoas durante 42h num onibus furreba. O banheiro tinha um cheiro inexplicavel.
Paramos as duas manhas para tomar banho e e cafe, mas alguns imprevistos nos tomaram. Dois pneus furados: um em ita-algumacoisa (BA), e em Recife.
Os porres foram majestosos e a diversão foi total.
O estado da Bahia nunca acabava (foram um dia e pouco atravessando-o) e alagoas e pernambuco são uma só plantação de cana de açicar, uma mega plantação.
Cheguei agora em j pessoa. Alojamento muvucado e camping pra quem trouxe barraca. tudo como esperado. As coisas estão se assentando e ainda não está nada certo, mas tudo promete ser muito muito.
Prometo atualizar o Twitter.
Beijos!
A viagem foi muito maneira! Todos tentando resistir ao tédio e ao futum que imperava no onibus todo, como se espera de uma viagem de 45 pessoas durante 42h num onibus furreba. O banheiro tinha um cheiro inexplicavel.
Paramos as duas manhas para tomar banho e e cafe, mas alguns imprevistos nos tomaram. Dois pneus furados: um em ita-algumacoisa (BA), e em Recife.
Os porres foram majestosos e a diversão foi total.
O estado da Bahia nunca acabava (foram um dia e pouco atravessando-o) e alagoas e pernambuco são uma só plantação de cana de açicar, uma mega plantação.
Cheguei agora em j pessoa. Alojamento muvucado e camping pra quem trouxe barraca. tudo como esperado. As coisas estão se assentando e ainda não está nada certo, mas tudo promete ser muito muito.
Prometo atualizar o Twitter.
Beijos!
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Fikadica
Andei lendo “Ordem do discurso”, palestra de Foucault transformada em livro, proferida quando de sua admissão na cátedra no Collège de France, em 1970. É um livro bem fininho, que é lido numa tarde à toa, mas que demora a vida toda pra ser entendido. A intenção da palestra seria de apresentar para o auditório as pesquisas que o filósofo pretendia seguir na instituição, perpassando pelo que já tinha feito até aquele momento. Na primeira parte, se dedica a uma análise do discurso e de suas práticas na “nossa sociedade”, como gostou de dizer, mas principalmente se preocupa com as formas de repressão, limitação, cerceamento e deslocamento desse discurso e o poder embutido nessa luta. Segundo o próprio: “o discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo pelo que se luta, o poder de que queremos nos apoderar”. Bom, tudo isso pode ser encontrado no verso do livro (inclusive a citação), onde uma moça faz uma sinopse muito boa sobre o texto, porém acho que ele seria um bom condutor da leitura do autor, embora minimamente lido por mim, e que destaca bastante o caminho que a filosofia francesa contemporânea a Foucault irá trilhar, a linguagem (discurso) como preocupação maior na análise do pensamento e de sua relação com o Poder - a História da Filosofia que para Foucault seria válida.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Às vezes o que se precisa é distância. Nem mesmo pensar na presença. Ficávamos pensando muito em como seria se fizéssemos diferente, se fossemos mais fazedores. Espero que não esteja sendo assim com quem estiver agora. Espero que o que estiver fazendo agora seja algo que valha a pena ser vivido, e não contado. Os melhores escritores são os piores vivants. Então escreva mal, querida. Viva para não contar nada para ninguém. Quero você depois com tudo que viveu, sem saber o que foi. Não jogue jogos com a sua vida, não aqueles sem-graça. Apenas viva. Não queira escrever sobre ela. Parabéns pelo aniversário, amiga.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
À beira do colapso. A cada batida do martelo, a cada grito do cinzel a cabeça explodia. A fumaça do cigarro empurrada goela abaixo dava um alívio quase torturante, pois a perpetuação dessa luta era pior que o próprio não ser.
Conhecia os motivos, as razões e as implicações. Não conhecia nada. O que sentia era desespero por tudo existir sem ele. Era desnecessário. O mundo era indiferente. Tudo passava e arrastava principalmente aquilo que não aceitava ir. Ironia. Ou ir ou ser carregado. Sem meia-conversa. Isso. Só. A maré.
Se pelo menos não fizesse sentido. Se tudo se passasse ao menos como sonhos. Antes pesadelos. Queria as entranhas reviradas, não massacradas e pisadas.
Conhecia os motivos, as razões e as implicações. Não conhecia nada. O que sentia era desespero por tudo existir sem ele. Era desnecessário. O mundo era indiferente. Tudo passava e arrastava principalmente aquilo que não aceitava ir. Ironia. Ou ir ou ser carregado. Sem meia-conversa. Isso. Só. A maré.
Se pelo menos não fizesse sentido. Se tudo se passasse ao menos como sonhos. Antes pesadelos. Queria as entranhas reviradas, não massacradas e pisadas.
Depois de quase 1 ano de análise a sensação que tenho é que ao longo desse tempo fui emburrecendo aos poucos. Isso porque, como se sabe, a inteligência é o descontrole do espírito, pelo menos aquela desejada. Não consigo mais fluir, não consigo mais me perder. Os muros dessa prisão são o controle dos desejos. Melhor: a consciência deles. Não que a agonia causada pela confusão da loucura fosse algo agradável com que se lidar.
Mas da mesma maneira a agonia da normalidade abate quem um dia tentou entrar em contato com a falta de parâmetros. Pretensão a minha achar que sou louco. Ser patético sou em tentar me controlar.
Mas da mesma maneira a agonia da normalidade abate quem um dia tentou entrar em contato com a falta de parâmetros. Pretensão a minha achar que sou louco. Ser patético sou em tentar me controlar.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
segunda-feira, 18 de maio de 2009
A mágica
Em todas as suas fotos você revela seu lado de mágica: as como musa, as como artista. E em todas as vezes que te vejo, parece que seu olhar ri de tudo, que teu sorriso já antecipa cada movimento do mundo.
Só tens mistério, mas nenhum segredo. Tudo está aí.
O desejo que me leve contigo e me sussurre. Só esse. Quero o soprar dos encantamentos da tua boca enorme a acariciar meus sonhos.
Só tens mistério, mas nenhum segredo. Tudo está aí.
O desejo que me leve contigo e me sussurre. Só esse. Quero o soprar dos encantamentos da tua boca enorme a acariciar meus sonhos.
domingo, 17 de maio de 2009
Um filete só
Ela sempre encontrava aquilo que no tumulto do tudoagitando-se resguardava uma tranquilidade irônica, que ria de todos. Sempre conseguiu criar coisas que a mim pareciam geniais,mas ultrajantes a muita gente. Nunca se importou com o ultraje. Nunca se importou com o que diziam sobre o quê. O que importava era o que para ela importava.
A escrita vinha naturalmente. Era o próprio coração.
Não vi ter pretensões. Tinha poder de realizar o que quisesse. Pelo menos o quanto fosse da propriedade da sua vida. Ela criava vida. Até nas terras mortas do seu espírito. E quando não conseguia, abandonava correndo o lugar, com medo de se resignar. Era criadora, pode-se dizer assim.
Sabe quando você interfere na vida de alguém para que ela mude do jeito que você quer que ela seja? Então...
Virou ela alguém que despreza o caráter confuso. O incerto tem que ser bom. Bom, o incerto sempre é legal, quando você não sabe o que vai acontecer. Quando já se sabe ele é mau. Sério. A previsibilidade do incerto não presta. Você se torna um cafajeste, sabia? Como ela amaria alguém com caráter incertamente previsível (ou previsivelmente incerto?).
A conheci, amei muito, e quero...bom, não tenho a mínima idéia de que quero agora.
Esse é só um filete de pensamento de algo bom, de alguém bom. E só.
A escrita vinha naturalmente. Era o próprio coração.
Não vi ter pretensões. Tinha poder de realizar o que quisesse. Pelo menos o quanto fosse da propriedade da sua vida. Ela criava vida. Até nas terras mortas do seu espírito. E quando não conseguia, abandonava correndo o lugar, com medo de se resignar. Era criadora, pode-se dizer assim.
Sabe quando você interfere na vida de alguém para que ela mude do jeito que você quer que ela seja? Então...
Virou ela alguém que despreza o caráter confuso. O incerto tem que ser bom. Bom, o incerto sempre é legal, quando você não sabe o que vai acontecer. Quando já se sabe ele é mau. Sério. A previsibilidade do incerto não presta. Você se torna um cafajeste, sabia? Como ela amaria alguém com caráter incertamente previsível (ou previsivelmente incerto?).
A conheci, amei muito, e quero...bom, não tenho a mínima idéia de que quero agora.
Esse é só um filete de pensamento de algo bom, de alguém bom. E só.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Carícias
Pra onde vão seus olhos?
Pra onde querem ir?
Onde querem estar?
Se em mim esbarram
Tudo o mais conseguem alcançar
Suplicam teus olhos
Por um algo
E estarão sempre a suplicar
Pra onde querem ir?
Onde querem estar?
Se em mim esbarram
Tudo o mais conseguem alcançar
Suplicam teus olhos
Por um algo
E estarão sempre a suplicar
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