segunda-feira, 11 de maio de 2009

E por vezes as noites duram meses

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.




David Mourão-Ferreira

Carícias

Pra onde vão seus olhos?
Pra onde querem ir?
Onde querem estar?

Se em mim esbarram
Tudo o mais conseguem alcançar
Suplicam teus olhos
Por um algo
E estarão sempre a suplicar

terça-feira, 5 de maio de 2009

Será que se você não tiver nenhum recado no orkut ninguém gosta de você?

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um acontecimento, às vezes, pode nos despertar tanto desgosto e raiva de alguém que é capaz de muitas coisas ditas quando ainda se afloram sentimentos ruins poderem ser confudidas com uma vingança. Na verdade, no momento, talvez seja a única forma e a mais imediata reação que se possa ter. Nada que torne dignas essas palavras grosseiras, muito menos, que torne digna a pessoa que as escreve, que pelo contrário assume realmente coisas terríveis que acontecem e depois daí passa somente a ver a si e a suas ações por essas lentes contaminadas pela verdade dita por algum outro.
Mas aí é que está.
Será que se alguma coisa de ruim que é percebida (percebamos o problema dessa 'percepção), ela deve ser falada, deve ser exposta para quem seria o autor do crime? Será que há alguma coisa a ser percebida, e se for, será que poderá ser consertada, e se não puder, será que adiantará ser dita?
Muitas perguntas esquisitas e que pode parecer uma fuga dos 'verdadeiros' problemas de alguém que sempre irá fugir deles e relegá-los a alguma parte do seu espírito, onde provavelmente nem ele saiba.
Não sei...não sei...
Acho que o importante é o sentimento resultante de tanta análise e percepção, sobretudo, de uma percepção indireta de que alguém é uma merda, e de que um outro alguém não falha. De que alguém se esconde e de que alguém grita uma potência quase sem limites. De que alguém é réu e culpado. De que ele não é nada e poderia ser tudo. De que ele deve ser esquecido como se fosse um passado o qual ninguém quer na memória.
Meu pedido é que julguem muito, analisem bastante, tenham alguém o máximo de tempo possível na sua cabeça, mas não os façam perceber que os erros que cometeram são irreversíveis, que seu passado é condenável, e que tudo de bom que poderia ter acontecido foi ela, justamente ela que acabou com tudo!
Amem! Mas o façam, se possível, em silêncio!


Anônimo

sábado, 2 de maio de 2009

Sobre pombos


No convivio com certo tipo de pessoas vejo como quase certo um consequente embolar das tripas e um frio a subir pela espinha. Em momentos específicos esse efeito torna-se inevitável. Não os culpo por me causarem isso, e na verdade algumas vezes os desejo bem perto, pelo menos quando muito longe e irreais estão, para que supram uma falta qualquer de meu espírito ou para que compartilhem de ótimas emoções e sensações pelo que passo de tempos em tempos. Entretanto, a inevitabilidade do revirar de minhas tripas é algo que me incomoda quando acontece, coisa fácil de se supor.
Digo essas coisa dessas pessoas, as quais espero não lerem estas simples linhas, e se lerem não vestirem a carapuça, na verdade de uma posição criticável e criticada, mas mesmo assim não consegui não lembrar de certos versos de Vinicius de Moraes, que certamente são conhecidos amplamente por quem os aqui ler: "Deus sabe que , entre gatos e pombos, eu sou francamente pela primeira espécie. Acho pombos um povo horrivelmente burguês, com seu ar bem-disposto e contente da vida, sem falar na baixeza de certas características de sua condição, qual seja a de, eventualmente, se entredevorarem quando engaiolados."
Devo ressaltar que logicamente elas, companhias minhas, não compartilham dessa característica da condição dos pombos, mas seu ar bem-disposto com a vida é de verdadeiro incômodo para mim, animal severamente preguiçoso e sem perspectivas de nada.

Clichês perfeitos para o momento

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.