terça-feira, 7 de abril de 2009
o melhor investimento em educação possível numa cidade como o rio é a perfeita pavimentação dessas ruas malditamente esburacadas e o treinamento dos motoristas de ônibus, que hoje parecem confundir os passageiros com sacos de batatas que se joga na caçamba de um caminhão qualquer. quando essa parte essencial do funcionamento da cidade for resolvido, tenho certeza de que pelo menos os universitários poderão terminar de ler suas xerox até o final do período, coisa que é impossível se estes não reservarem o tempo de viagem casa-universidade para os estudos ainda incompletos.
por isso votei no eduardo paes, porque é visível ele tem esse tipo de visão audaciosa e inteligente.
por isso votei no eduardo paes, porque é visível ele tem esse tipo de visão audaciosa e inteligente.
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sexta-feira, 3 de abril de 2009
Insônia
o galo do vizinho e o trem a uns dois quilometros pareciam manter uma conversa desvairada e intensa. o cantar do primeiro era intercalado pela buzina do segundo, e no fundo percebia-se que aquilo era somente uma grande sacanagem com quem dormia um sono superficial nas cercanias. os cachorros pareciam entrar na brincadeira, e quando o papo entre o galo e a maquina escrota e barulhenta parecia dar tregua, os cãe da vizinhança retomavam esta guerra de sons de intensidades e qualidades irritantes a cada minuto que se passava na madrugada.
o céu nao colaborava muito com os que lutavam contra a insônia, guardando em si uma lua minguada com estrelas apagadas entre nuvens extremamente baixas e rápidas. era uma madrugada monótona que só tinha a irritar quem quisesse tirar algum entretenimento dali.
essa cidade sempre foi assim: todos os dias parecendo terças-feiras e a maior parte do dia parecendo manhãs de sábado. no conjunto:terça-feira; retalhado: manhãs de sabado. não importava o ano, estação ou época do ano, os dias não conseguiam se diferenciar de outro, coisa que trazia grande marasmo pra quem ali conseguia sobreviver.
já sobre as noites não se poderia falar o mesmo. as noites eram como são em qualquer parte: muito profundas e inperscrutaveis. entretanto esta em especial não trazia nenhum atrativo ou curiosidade para amenizar as mentes exasperadas acordadas por forças que eles mesmos, os donos delas(que em muitasd ocasiões poderiam ser chamados de escravos delas), não podiam explicar da onde vinham.
os motivos, com certeza, eram variados, bem sortidos num saco grande de desilusões e segredos escondidos dos próprios confidentes. mas como dito, nada consciente e nada aparente, só o desconforto.
alguns teriam dito que o suicídio era uma opção àquela circunstância, não pelo desespero ou pela angústia, mas justamente pelo contrário, pelo vazio imenso de uma mente que escondia muito bem todos suas sujeiras para debaixo do tapete. uma bala de calibre qualquer, tanto faz, encontraria somente a resistência de duas paredes: a da entrada e a da saída.
outros afirmariam que nada se passava de errado se algum familiar o surpreendesse em sua vigília, e em segredo(mais um) forçaria que seu sono aparecesse o mais rápido possivel, e até ameaçaria o coitado de porrada caso nao cumprisse com sua ordem de vir ligeiro.
outros ainda prometeriam a si mesmos que no dia seguinte - caso ele existisse(coisa que se põe em duvida devido a quase inexistência de uma noite de sono que pudesse separar dois dias)- seus demônios que os acompanhavam noite após noite, fossem eles quem fossem, seriam encarados de uma forma ou de outra, ou os ameaçando de porrada (como a turma anterior ameaçaria seu sono) ou de forma heróica, mas humilhante, assumiriam seus defeitos e falhas e encarariam triunfantemente sua pena.
mas nada disso, na verdade acontecerá. sejamos sinceros. nesse lugar, no meio do país da indiferença, em que nada mudou desde onde a memória alcança, no lugar onde os mais velhos guardam ainda no peito remorsos e arrependimentos acontecidos na sua adolescencia, nada, nunca nada ia ser diferente. pelo menos diria isso a mente mais racional. e menos indicada para o serviço.
o céu nao colaborava muito com os que lutavam contra a insônia, guardando em si uma lua minguada com estrelas apagadas entre nuvens extremamente baixas e rápidas. era uma madrugada monótona que só tinha a irritar quem quisesse tirar algum entretenimento dali.
essa cidade sempre foi assim: todos os dias parecendo terças-feiras e a maior parte do dia parecendo manhãs de sábado. no conjunto:terça-feira; retalhado: manhãs de sabado. não importava o ano, estação ou época do ano, os dias não conseguiam se diferenciar de outro, coisa que trazia grande marasmo pra quem ali conseguia sobreviver.
já sobre as noites não se poderia falar o mesmo. as noites eram como são em qualquer parte: muito profundas e inperscrutaveis. entretanto esta em especial não trazia nenhum atrativo ou curiosidade para amenizar as mentes exasperadas acordadas por forças que eles mesmos, os donos delas(que em muitasd ocasiões poderiam ser chamados de escravos delas), não podiam explicar da onde vinham.
os motivos, com certeza, eram variados, bem sortidos num saco grande de desilusões e segredos escondidos dos próprios confidentes. mas como dito, nada consciente e nada aparente, só o desconforto.
alguns teriam dito que o suicídio era uma opção àquela circunstância, não pelo desespero ou pela angústia, mas justamente pelo contrário, pelo vazio imenso de uma mente que escondia muito bem todos suas sujeiras para debaixo do tapete. uma bala de calibre qualquer, tanto faz, encontraria somente a resistência de duas paredes: a da entrada e a da saída.
outros afirmariam que nada se passava de errado se algum familiar o surpreendesse em sua vigília, e em segredo(mais um) forçaria que seu sono aparecesse o mais rápido possivel, e até ameaçaria o coitado de porrada caso nao cumprisse com sua ordem de vir ligeiro.
outros ainda prometeriam a si mesmos que no dia seguinte - caso ele existisse(coisa que se põe em duvida devido a quase inexistência de uma noite de sono que pudesse separar dois dias)- seus demônios que os acompanhavam noite após noite, fossem eles quem fossem, seriam encarados de uma forma ou de outra, ou os ameaçando de porrada (como a turma anterior ameaçaria seu sono) ou de forma heróica, mas humilhante, assumiriam seus defeitos e falhas e encarariam triunfantemente sua pena.
mas nada disso, na verdade acontecerá. sejamos sinceros. nesse lugar, no meio do país da indiferença, em que nada mudou desde onde a memória alcança, no lugar onde os mais velhos guardam ainda no peito remorsos e arrependimentos acontecidos na sua adolescencia, nada, nunca nada ia ser diferente. pelo menos diria isso a mente mais racional. e menos indicada para o serviço.
segunda-feira, 30 de março de 2009
parece que o mundo tá indirente ao tempo. ele não passa.
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quarta-feira, 25 de março de 2009
o foda de alguns blogs é que neguinho escreve tanta coisa que te desanima de ler. não é preguiça não, é que às vezes é tanta coisa pra falar de tão pouco. aceito esculachos, ok? só não vale envolver mãe.
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Pirocas grandes, personalidades fortes e solidão (parte II)
"Nas noites de inverno, enquanto fervia a sopa no fogão, desejava o calor dos fundos da loja, o zumbido do sol nas amendoeiras empoeiradas, o apito do trem na sonolência da sesta, da mesma forma como desejava em Macondo a sopa de inverno no fogão, os pregões do vendedor de café e as cotovias fugazes da primavera. Aturdido por duas saudades colocadas de frente uma para a outra como dois espelhos, perdeu o seu maravilhoso sentido de irrealidade até que terminou por recomendar a todos que fossem embora de Macondo, que esquecessem tudo o que ele ensinara do mundo e do coração humano, que cagassem para Horácio e que em qualquer lugar em que estivessem se lembrassem de que o passado era mentira, que a memória não tinha caminhos de regresso, que toda primavera antiga era irrecuperável e que o amor mais desatinado e tenaz não passava de uma verdade efêmera."
Pirocas grandes, personalidades fortes e solidão (parte III)
"Em seguida, derivou para episódios dispersos, mas os evocou sem qualificá-los, porque de tanto não poder pensar em outra coisa tinha aprendido a pensar frio, para que lembranças iniludíveis não lhe estragassem nenhum sentimento. De volta à oficina, vendo que o ar começava a secar, decidiu que era um bom momento para tomar banho, mas Amaranta se havia antecipado a ele. De modo que começou o segundo peixinho do dia. Estava engatando o rabo quando o sol saiu com tanta força que a claridade rangeu como uma canoa. O ar lavado pela chuvinha de três dias se encheu de tanajuras. Então caiu em si, percebendo que tinha vontade de urinar e estava adiando até que acabasse de armar o peixinho. Ia para o quintal, às quatro e dez, quando ouviu os instrumentos, longínquos, as batidas do bumbo e a alegria das crianças, e pela primeira vez desde a juventude pisou conscientemente numa armadilha da saudade e reviveu a prodigiosa tarde de ciganos em que o seu pai o levou para conhecer o gelo. Santa Sofía de la Piedad abandonou o que estava fazendo na cozinha e correu para porta.
- É o circo - gritou.
Em vez de se dirigir ao castanheiro, o Coronel Aureliano Buendía foi também para a porta da rua e se misturou com os curiosos que comtemplavam o desfile. Viu uma mulher vestida de ouro no cangote de um elefante. Viu um dromedário triste. Viu um urso vestido de holandesa que marcava o compasso da música com uma concha e uma caçarola. Viu os palhaços virando cambalhotas no final do desfile e viu outra vez a cara da sua solidão miserável quando tudo acabou de passar e não ficou senão o luminoso espaço da rua e o ar cheio de tanajuras e uns quantos curioso próximos ao precipício da incerteza. Então foi para o castanheiro, pensando no circo, e enquanto urinava tentou continuar pensando no circo, mas já não encontrou a lembrança. Meteu a cabeça entre os ombros, como um frango, e ficou imóvel com a testa apoiada no tronco do castanheiro. A família não soube de nada até o dia seguinte, às onze da manhã, quando Santa Sofía de la Piedad foi jogar o lixo no quintal e lhe chamou a atenção o fato de estarem baixando os urubus."
- É o circo - gritou.
Em vez de se dirigir ao castanheiro, o Coronel Aureliano Buendía foi também para a porta da rua e se misturou com os curiosos que comtemplavam o desfile. Viu uma mulher vestida de ouro no cangote de um elefante. Viu um dromedário triste. Viu um urso vestido de holandesa que marcava o compasso da música com uma concha e uma caçarola. Viu os palhaços virando cambalhotas no final do desfile e viu outra vez a cara da sua solidão miserável quando tudo acabou de passar e não ficou senão o luminoso espaço da rua e o ar cheio de tanajuras e uns quantos curioso próximos ao precipício da incerteza. Então foi para o castanheiro, pensando no circo, e enquanto urinava tentou continuar pensando no circo, mas já não encontrou a lembrança. Meteu a cabeça entre os ombros, como um frango, e ficou imóvel com a testa apoiada no tronco do castanheiro. A família não soube de nada até o dia seguinte, às onze da manhã, quando Santa Sofía de la Piedad foi jogar o lixo no quintal e lhe chamou a atenção o fato de estarem baixando os urubus."
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