segunda-feira, 20 de julho de 2009

À beira do colapso. A cada batida do martelo, a cada grito do cinzel a cabeça explodia. A fumaça do cigarro empurrada goela abaixo dava um alívio quase torturante, pois a perpetuação dessa luta era pior que o próprio não ser.
Conhecia os motivos, as razões e as implicações. Não conhecia nada. O que sentia era desespero por tudo existir sem ele. Era desnecessário. O mundo era indiferente. Tudo passava e arrastava principalmente aquilo que não aceitava ir. Ironia. Ou ir ou ser carregado. Sem meia-conversa. Isso. Só. A maré.
Se pelo menos não fizesse sentido. Se tudo se passasse ao menos como sonhos. Antes pesadelos. Queria as entranhas reviradas, não massacradas e pisadas.
Depois de quase 1 ano de análise a sensação que tenho é que ao longo desse tempo fui emburrecendo aos poucos. Isso porque, como se sabe, a inteligência é o descontrole do espírito, pelo menos aquela desejada. Não consigo mais fluir, não consigo mais me perder. Os muros dessa prisão são o controle dos desejos. Melhor: a consciência deles. Não que a agonia causada pela confusão da loucura fosse algo agradável com que se lidar.
Mas da mesma maneira a agonia da normalidade abate quem um dia tentou entrar em contato com a falta de parâmetros. Pretensão a minha achar que sou louco. Ser patético sou em tentar me controlar.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

me apaixonei hoje por tanta gente que nunca imaginaria que pudesse. talvez seja essa a graça. e me apaixonei por uma pessoa que conheço há tanto tempo...
assisto a todo esse show com um contentamento potente, quase explosivo. sigo na introspecção da esperança no acaso.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A mágica

Em todas as suas fotos você revela seu lado de mágica: as como musa, as como artista. E em todas as vezes que te vejo, parece que seu olhar ri de tudo, que teu sorriso já antecipa cada movimento do mundo.
Só tens mistério, mas nenhum segredo. Tudo está aí.
O desejo que me leve contigo e me sussurre. Só esse. Quero o soprar dos encantamentos da tua boca enorme a acariciar meus sonhos.

domingo, 17 de maio de 2009

Um filete só

Ela sempre encontrava aquilo que no tumulto do tudoagitando-se resguardava uma tranquilidade irônica, que ria de todos. Sempre conseguiu criar coisas que a mim pareciam geniais,mas ultrajantes a muita gente. Nunca se importou com o ultraje. Nunca se importou com o que diziam sobre o quê. O que importava era o que para ela importava.
A escrita vinha naturalmente. Era o próprio coração.
Não vi ter pretensões. Tinha poder de realizar o que quisesse. Pelo menos o quanto fosse da propriedade da sua vida. Ela criava vida. Até nas terras mortas do seu espírito. E quando não conseguia, abandonava correndo o lugar, com medo de se resignar. Era criadora, pode-se dizer assim.
Sabe quando você interfere na vida de alguém para que ela mude do jeito que você quer que ela seja? Então...
Virou ela alguém que despreza o caráter confuso. O incerto tem que ser bom. Bom, o incerto sempre é legal, quando você não sabe o que vai acontecer. Quando já se sabe ele é mau. Sério. A previsibilidade do incerto não presta. Você se torna um cafajeste, sabia? Como ela amaria alguém com caráter incertamente previsível (ou previsivelmente incerto?).
A conheci, amei muito, e quero...bom, não tenho a mínima idéia de que quero agora.
Esse é só um filete de pensamento de algo bom, de alguém bom. E só.

terça-feira, 12 de maio de 2009

A gente se acostuma
para poupar a vida
que aos poucos se gasta
e, gasta,
de tanto acostumar,
se perde de si mesma.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

E por vezes as noites duram meses

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.




David Mourão-Ferreira